Notícias das franquias


29/04/2015

CRISE?!? O setor de franquias agradece

Pode parecer até absurda a afirmação, mas segundo especialistas e franqueadores, a força, segurança e maturidade do franchising corre na frente das dificuldades macroeconômicas. Os números do setor comprovam. O que se espera agora, no mínimo, são as ações ‘básicas’, que efetivamente devem ser implementadas por nossos governantes. Assim, o setor está pronto para continuar seu caminho de crescimento

O setor de franquias não ficou imune ao aperto de cinto que a economia sinalizou no último ano. É o que mostra o raio-x oficial do setor divulgado pela ABF (Associação Brasileira de Franchising) sobre o crescimento e faturamento do franchising no Brasil em 2014. As previsões seguem positivas para esse ano. Mas o mercado de franquias não passará ileso por 2015, ano que promete ser difícil na opinião dos empresários e analistas econômicos. 

A Revista Franquia & Global Oppor­tunities ouviu especialistas e empresários sobre nossa economia, sobre o momento do franchising no país e fora dele, e todos são unânimes em entender que ‘crise’ se resolve com monitoramento de perto, trabalho e foco.

A boa notícia é que, historicamente, esse ambiente é muito fértil para o franchising. Como afirma Luis Henrique Stockler, diretor executivo da ba}STOCKLER, consultoria empresarial especializada em redes de varejo, “nos meus 23 anos de franquias pude vivenciar esta afirmação. A procura por franquias cresce muito durante as crises. Os principais fatores são o aumento do desemprego, ou só a perspectiva e o temor dele, além dos programas de demissão voluntária que normalmente ocorrem nestas épocas”.

É o que entende também Filomena Garcia, sócia-diretora da consultoria do Grupo Cherto, Franchise Store, “A crise também é um momento de oportunidades. Tenho certeza que muitas empresas vão usar esse período para olhar para dentro de casa, aprimorar a gestão e melhorar seus resultados. E por conta disso vão se destacar da concorrência. Por isso, acho que o candidato a franqueado, antes de investir, deve fazer uma pesquisa para saber quais são as empresas que se prepararam para enfrentar a crise e se preo­cupam em melhorar constantemente a gestão, sem medo de continuar a crescer. Nesse tipo de franquia sempre vale a pena investir, afirma.”

Experiência e planejamento

O preparo inerente das redes de franquia dão o tom e garantem os números de crescimento em tempos difíceis. “A SMZTO se preparou desde o começo de 2014, quando a economia começou a dar sinais de esfriamento, cortamos custos, otimizamos processos e focamos em produtos com alto valor agregado. Esta estratégia está fazendo a diferença e vai nos ‘garantir’ para os próximos anos. Mesmo com este cenário ruim, nossas marcas estão crescendo fortemente, acima dos 2 digitos. Uma pena saber que poderíamos crescer muito mais, gerar mais empregos e divisas para nosso pais.”, declara José Carlos Semenzato, presidente da SMZTO Participações, holding de franquias multissetoriais, responsável pela administração das marcas, Belle­zaPura, Casa X, Donna’s, Instituto Embelleze, L’Entrecôte de Paris, Mixirica, OdontoCompany, Praquemarido, Protezione, Rei do Picadinho, Stuppendo, Yakisoba Factory e Oral System. Semenzato é referência no franchising e na excelência da gestão de grandes redes. 

Hoje a holding foca em franquias com alto valor agregado. “Nossa expe­riência de mais de 20 anos em franchising nos torna bastante ‘senior’ para cuidar de grandes operações, com investimento acima de 200 mil reais. Os setores de atuação pouco importam, tudo depende de o negócio ser bom, ser franqueável e gerar resultado para a cadeia completa: franqueador, franqueados, colaboradores e fornecedores. Principalmente no franchising, o negócio precisa ser desejado pelo consumidor, seja ele produto ou serviço.” E ele reitera e complementa a afirmação dos especialistas. “Acredito que em momentos de crise os empreendedores focam mais na busca de inovação e estratégias para superar os obstáculos. Isso acaba gerando melhores resultados. Em especial no setor de franquias, onde se pode contar com o apoio, inclusive, da rede dos franqueados, a força aumenta ainda mais, uma vez que temos dezenas, quando não centenas, de cabeças pensando na busca de soluções. Isso faz toda a diferença.”

Metas arrojadas

As microfranquias aliam baixo investimento e alta rentabilidade, segundo os números divulgados pela ABF, essa modalidade de negócio cresceu 14,7% de 2013 para 2014. O desejo de ter o próprio negócio com um pequeno investimento inicial - até R$ 80 mil – é o grande motivador do avanço das microfranquias. Para atender esse empreendedor, em 2014, registrou-se também um movimento de empresas oferecendo modelos híbridos, ou seja, franquias tradicionais adotando modelos de microfranquias sob a mesma marca. Das 2.942 redes existentes no Brasil, 433 possuem modelo de microfranquias. 

Em tempos de ‘crise’ modelos de negócios dentro da faixa de investimento que gira em torno de R$30 mil a R$50 mil são muito procurados. “Nenhum segmento fica livre de incertezas, mas os de baixo investimento, home based e baixo risco permitem que muitos micros e pequenos empreendedores iniciem seus projetos de mudança do ‘mundo do emprego’ para o ‘mundo do trabalho’. Queremos crescer 50% este ano em número de unidades, passando das atuais 450 para 675 no final do ano de 2015. Acredito que um pouco de crise sempre é bom para despertar o empreendedor que existe em cada um e, as microfranquias são, naturalmente, uma porta de entrada para possibilitar que o sonho do negócio próprio se torne uma realidade.”, afirma Artur Hipólito, presidente do Grupo Zaiom, pioneiro em microfranquias no Brasil. Hoje o grupo opera seis marcas, Home Angels (cuidadores de pessoas), Dr. Faz Tudo (reparos e reformas prediais), Dr. Jardim (manutenção de jardins e piscinas), Home Depil (fotodepilação e estética), Globish (inglês global) e Tutores (reforço escolar e educação multidisciplinar). As microfranquias do Grupo Zaiom possuem investimento inicial que vão de R$ 15 mil a R$ 30 mil, sendo que cada uma das microfranquias é indicada para um perfil distinto de empreendedor.

Para Artur, 2015 será um ano de crise para alguns e de oportunidades para outros. “Precisamos trabalhar mais independentes de políticos, corrupção e de um Estado obsoleto que quase nada faz para possibilitar o crescimento das microempresas em nosso País”, finaliza. 

 

Também para as marcas assessoradas pela ba}STOCKLER, as perspectivas de crescimento são positivas.”Os números de contratos firmados e, consequentemente, os de unidades a serem abertas, são favoráveis, afirma Luis Henrique, e continua, “imune à crise ninguém vai ficar, mas teremos alguns segmentos que poderão sofrer menos. Este é o caso de alimentação fora de casa, como delivery, rotisserias, restaurantes e fast food em áreas comerciais. O setor de serviços, doméstico e empresarial, como um todo. Este tem demanda por conta de terceirização, transformando custo fixo em variável, e pela redução de trabalhadores domésticos nas famílias das classes A e B principalmente.

Para o consultor, “o varejo em 2015 deve ‘bater no fundo do poço’ em termos de crescimento, ou ‘encolhimento’. Se a política ortodoxa conseguir ajustar as contas do governo, deve retomar seu crescimento após o carnaval, na entrada do inverno de 2016 com os eventos do dia das mães e namorados. Para isso acontecer o governo precisa de apoio do congresso, pois metade dos ajustes já divulgados dependem de aprovação dos parlamentares. Haja coração!!!! Por isso estamos aconselhando nosso clientes a tomar muito cuidado na negociação do ponto comercial e na implantação de suas novas unidades para não ‘plantar’ problema futuro na gestão da rede. Procuraremos implantar franquias negociando bem as condições agora e inaugurando na virada da crise, quando a economia começar a crescer novamente em 2016, se nossos governantes fizerem a parte deles, é claro”, complementa.

 

Conforme os números da ABF, a entidade estima que o crescimento do faturamento do setor ao longo do ano fique entre 7,5% e 9,0%. Já o número de marcas deve aumentar 8% e o de novas unidades, crescer entre 9% e 10%. Essas projeções poderão ser atualizadas ao longo do monitoramento trimestral, devido as alterações da economia e da consequência das restrições hídricas e energéticas que o País enfrenta. “Nosso objetivo é continuar municiando o mercado com dados fidedignos para que todos os seus atores tenham subsídios para a tomada de decisão ao longo dos próximos 12 meses”, afirma Cristina Franco, presidente da ABF, e conclui: “Os números da indústria do franchising confirmam que somos um setor amadurecido que está fazendo a sua parte nos esforços da sociedade para o desenvolvimento da Nação”.

Trabalho e foco

Momentos de dificuldade para alguns podem ser diretamente proporcionais a oportunidades para aqueles que usam sua experiência de forma positiva. “Temos visto muitas empresas olharem para dentro de casa e se preocuparem em melhorar a gestão - o que é muito positivo. Mas também temos visto muitas empresas acreditarem que é possível sim crescer em momentos de crise e criarem novos modelos de negócio, o que também é muito bom. O mais importante é não se deixar abater e tirar proveito das oportunidades que surgem em períodos como esses. Não existem segmentos que ficam mais imunes à crise, mas sim empresas que ficam mais imunes à crise. Todo mundo é impactado pela crise, em maior ou menor grau, mas apenas as empresas bem geridas e estruturadas conseguem sofrer menos nesse período”, afirma Filomena, da Franchise Store .

Para a especialista, “2015 vai ser um ano de muito trabalho. Todo mundo terá que trabalhar dobrado para conseguir os resultados que almeja, porque o cenário econômico não é positivo. O varejo, sem dúvida, sente um forte impacto. Mas não é hora de ficarmos parados, de ficarmos com medo. Em períodos como esse, o empresário precisa ser mais criativo e mais competente ainda, mas sempre há oportunidades a serem aproveitadas em meio à crise”, conclui.

Pelo Brasil

Para Eládio Toledo, presidente da US Franchising, consultoria especializada em expansão e formatação de redes, o momento é de ‘sair da caixinha’, “os empresários precisam apostar no crescimento e não na retração de seus negócios. O canal de distribuição via franquias pode ser a solução para algumas indústrias, ou redes de serviços com dificuldades de administrar ou crescer por recursos próprios. Algumas redes tem o potencial de crescimento estagnado pela necessidade da descapitalização ou pelo foco na gestão de unidades, quando o momento tem de ser o foco no produto. Assim, essas redes optando pelo crescimento planejado e estruturado via franquias, vão agregar novos profissionais, recursos de empreendedores e investidores que vão gerir suas próprias unidades segundo os modelos testados que já são sucesso e vão, também, multiplicar resultados para todos”. 

A taxa de mortalidade, em dois anos, de uma microfranquia é de 8,4%; 3,7% das franquias regulares ante 24,9% dos pequenos negócios fora do franchising, segundo o Sebrae. 

“Investindo no segmento de franquias, as marcas fazem com que seus produtos e serviços sejam conhecidos em diferentes regiões do País, multiplicam ‘sócios’ responsáveis pelos próprios negócios, um franqueado está longe de ser um gerente cujas metas e obrigações geram custos e muita energia para as redes próprias”, completa.

 De acordo com o levantamento da ABF, o índice de municípios brasileiros com operações de franquias chegou, em 2014, a 37,8%. Para se ter ideia, São Paulo (16,5%), Rio de Janeiro (7,4%) e Belo Horizonte (2,4%) são os municípios com maior número de unidades franqueadas. Ainda com base no estudo, o movimento de interiorização do franchising é exemplificado pela presença de marcas em 2.108 municípios do Brasil.

Para Hamilton Marcondes, diretor da HM Varejo e Franchising, especializada nas regiões nordeste e norte do país, “a ‘crise’ chega depois na região nordeste, mas pelas previsões do mercado esta região também será afetada, talvez no setor de bens duráveis, já que este é o primeiro setor a sentir a crise; quanto ao sistema de franquia vamos aguardar mais um pouco. A máxima de que o franchising se beneficia da ‘crise’ não deve ser generalizada, acredito que esse ambiente favorece, ou, não afeta o pequeno e médio varejista que quer formatar o seu negócio para franquia. Este perfil de empreendedor não está muito preocupado com ‘a crise’. Talvez quem esteja pensando em montar um negócio em franquia não vá investir em franquias que demandem investimentos muito altos. Então, isso pode ser bom para os pequenos e médios negócios, mas vai afetar as grandes. Até agora, os planos de crescimento e as estratégias montadas nos planos de negócio das pequenas e médias redes que atendemos não mudaram”.

As regiões Norte e Nordeste detém mais de 18% das unidades franqueadas do País.

 

Pelo mundo

“Tendo viajado em mais de 50 países poderia dizer que as ‘crises’ vão e vem, e esta regra se aplica para todos eles sem exceção. Eu acredito que o trabalho de cada indivíduo é o que contribui no crescimento coletivo. O setor de franquias é um dos mais dinâmicos do mercado brasileiro. O Brasil é um dos cinco maiores mercados do mundo neste setor. O mercado brasileiro está cada vez mais equiparável com os dos países do primeiro mundo e, portanto, as perspectivas são semelhantes” analisa Fábio Scocimara, diretor de expansão internacional da Visiting Angels Corporate – EUA, sócio do portal de negócios BEtheBOSS.com.br e sócio vice-presidente da Best Franchisee of the World.

Para Fábio, momentos de ‘crise’ ou mudança significam repensar as estratégias e modificá-las de acordo com as tendências de mercado. “Talvez uma boa comparação seja considerar o mercado de trabalho dos anos 60 onde o ‘chefe’ tomava as decisões e os funcionários eram os seus meros braços. Hoje, espera-se dele participação com o seu intelecto e contribuição para com o crescimento da empresa. Da mesma forma o mercado está em constante evolução e um emprego ou empresa podem tornar-se obsoletas do dia para noite. Uma dica para se pensar de maneira diferente seria substituir a palavra  ‘crise’ pela palavra ‘oportunidade’. Este simples processo muda a perspectiva e as coisas ficam mais claras para se repensar e alinhar os objetivos.

Apesar de não viver no Brasil há vários anos, entendo que as grandes oportunidades residem na prestação de serviços. Se diferenciar para o cliente em um mercado onde existe uma concorrência muito grande representa a diferença entre o sucesso ou a falência. Como consumidor nos Estados Unidos tenho pelo menos cinco lugares a menos de uma milha da minha casa onde eu posso tomar um café. Escolho pela constância na qualidade, velocidade no atendimento, limpeza e sorriso dos funcionários ao me atenderem. Todos estes fatores tem um peso equivalente e a diferença de preço não é um fator determinante nesta escolha. Se aplicarmos esta mesma formula para o mercado brasileiro, cuja concorrência não é tão acirrada como aqui, vejo uma oportunidade para se diferenciar”, compara.

O empresário e consultor americano finaliza, “para resumir em apenas uma frase: 90% preparation, 10% perspiration” (90% preparação, 10% suor) . Esta formula é a melhor maneira de garantir sucesso apesar de todos os desafios. Acredito muito em um forte crescimento no Brasil a médio prazo, mas isso não vai ocorrer sem os desafios. Para o empreendedor preparado, este é um dos melhores momentos para se fazer um investimento, em função de um maior poder de barganha e da oportunidade de se reduzir custos. A estratégia reside na capacidade de se questionar e reinventar constantemente com o objetivo de se diferenciar dos outros. Servir um bom ‘cafezinho’ não é mais suficiente para vencer”.

 

Na vida e na arte o quadro deve ser visto pelo prisma de quem o decodifica. Uma indústria resiliente e que se mostra vigorosa especialmente quando a conjuntura econômica é desfavorável - este é o sistema de franquias no Brasil. Os dados oficiais consolidados para o setor foram apurados pela ABF ao longo de todo o ano passado, compondo uma série de quatro Pesquisas Trimestrais de Desempenho do Franchising. O franchising cresceu 7,7%, registrando um faturamento da ordem de R$ 127,331 bilhões. Gerou 6,5% mais empregos, com a marca de quase 1 milhão e cem mil empregos diretos, e 239 novas marcas ingressaram no mercado como redes franqueadoras. Esse desempenho foi apurado em pesquisa por amostragem, dados cruzados com levantamentos feitos por entidades representantes de setores correlatos ao sistema de franquias – tais como CNC e ABRASCE – órgãos de governo como o IBGE, e o SEBRAE. Auditados por empresa independente, os dados divulgados pela ABF servem ainda de referência para governos, entidades internacionais do franchising, como World Franchise Council e FIAF – Federação Ibero-americana de Franquias. O Brasil, hoje, é o quarto país no ranking mundial, com 2.942 marcas. No topo da lista está a China, com 4.000; os Estados Unidos subiram do quarto para o segundo lugar, com 3.828, seguido da Coréia do Sul, com 3.691 redes. Já em relação às unidades em operação, mantivemos a sexta colocação no ranking do WFC, com 125.641 unidades. O ranking é liderado pelos Estados Unidos (769.683), com a China em 2º lugar (330.000), Japão em 3º (252.514), Coréia do Sul em 4º (203.349) e Filipinas na 5ª posição (130.000).



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